domingo, 20 de outubro de 2013

Três décadas depois, Piquet relembra bi em 83: "Um dos anos mais bacanas" Em 15 de outubro de 1983, corrida marcada por tática ousada da Brabham na África do Sul coroava brasileiro com seu segundo título mundial na F-1

A pista de Kyalami, na África do Sul, recebeu 20 GPs de Fórmula 1 entre 1967 e 1993. Na frieza dos livros de estatísticas, não é possível encontrar uma vitória brasileira nesta pista. Porém, foi nela que o automobilismo verde e amarelo viveu um dos grandes dias de sua história. Em 15 de outubro de 1983, Nelson Piquetconquistou naquele traçado 4.104 metros seu segundo título mundial. Trinta anos depois, ele relembrou o sentimento de dever cumprido, em uma entrevista a Reginaldo Leme que vai ao ar no próximo domingo no Esporte Espetacular.

- Aquele foi um dos anos mais bacanas para mim. Primeiro porque nós desenvolvemos muito o carro em 1982. Nós estávamos dois anos atrasados na “era Turbo” em relação à Renault e à Ferrari. Desenvolvemos em 1982 aos trancos e barrancos e em 1983 viemos para ganhar o campeonato. Então, tudo isso dá uma satisfação muito grande, porque é um trabalho de equipe, um trabalho de desenvolvimento, é a BMW, é a Brabham, é a Michelin. Tudo isso junto. A gente vê quantas horas nós testamos pneu e outras coisas para chegar ao que nós chegamos – disse Piquet ao Esporte Espetacular.

A entrevista completa de Nelson Piquet a Reginaldo Leme sobre seu segundo título mundial vai ao ar no programa do próximo domingo no Esporte Espetacular, que começa às 9h30m (horário de Brasília).

Ano de reviravoltas e sem favoritos

Só que, ao contrário do que pode parecer, o ano de 1983 não foi tão tranquilo assim para o brasileiro. Até chegar à pista que fica a 25 km de Joanesburgo, ele passou por poucas e boas em um dos campeonatos mais disputados daquela década, com reviravoltas que fizeram com que ninguém pudesse ser apontado como favorito antes da última corrida.

Nelson brilhou na abertura da temporada, disputada na cidade onde nasceu. Quarto colocado no grid no extinto autódromo de Jacarepaguá (que cinco anos mais tarde seria batizado com seu nome), Piquet fez belas ultrapassagens e ganhou o GP do Brasil. A corrida marcou a primeira vez que o tema da vitória tocou em uma transmissão da TV Globo.

Apesar de projetado por Gordon Murray, um dos gênios das pranchetas, a Brabham ainda não conseguia extrair todo o potencial do modelo BT52. Nelson era consistente, mas não o mais veloz com aquele carro. E assim ele viu as vitórias passando de mão em mão ao longo do ano. Uma para a McLaren de John Watson, uma para a Ferrari de Patrick Tambay, uma para a Tyrrell de Michelle Alboreto, uma para a Williams de Keke Rosberg, três para a Ferrari de René Arnoux e quatro para a Renault de Alain Prost. Os franceses eram seus maiores adversários, especialmente Prost, com o acertado carro turbo pintado em amarelo, preto e branco.

Reação na hora certa

Até que, a três provas para o fim da temporada, Murrey acertou as modificações no carro da Brabham e o jogo virou a favor do time, então comandado por Bernie Ecclestone (atualmente o detentor dos direitos comerciais da F-1). E assim Nelson Piquet venceu duas provas seguidas: o GP da Itália, em Monza, e o GP da Europa, no circuito inglês de Brands Hatch.
- Foi um trabalho muito intenso. O carro só ficou pronto e a partir do meio do ano, quando eles fizeram uma modificação grande nas turbinas, então ficou realmente muito competitivo. E aí era só manter o carro sem quebrar para a gente ganhar o campeonato do mundo – disse Piquet ao GLOBOESPORTE.COM.

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